As doações da Odebrecht

A inauguração do Porto de Mariel, em Cuba, com recursos financiados pelo BNDES, provocou uma série de debates no Twitter. Segundo reportagens, a execução da obra está a cargo da Odebrecht, e custou US$ 957 milhões (sendo US$ 682 milhões financiados pelo BNDES). Dentre os muitos pontos do debate, levantou-se a seguinte questão: o que há de financiamento de campanha nessa história? Como está a Odebrecht, executora da obra, no ranking de doações?

Quando se vê apenas o ranking de doações em 2012 vê-se que, primeiramente, a Odebrecth aparece como a 10a maior doadora, com R$19.450.000,00. No entanto, isso representa apenas o montante doado por CNPJ distinto; quer dizer, representa apenas o CNPJ mais utilizado pelo Odebrecht para fazer doações. É provável, no entanto, que uma empresa como a Odebrecht realize doações a políticos utilizando mais de um CNPJ. Fazendo uma busca no site por “odebrecht”, encontramos 5 CNPJs que fizeram doações em 2012:

Razão social Doações Feitas
CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S A R$ 19.450.000,00
CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT BRASIL S/A R$ 6.090.000,00
ODEBRECHT OLEO E GAS S/A R$ 2.575.000,00
ODEBRECHT REALIZACOES IMOBILIARIAS E PARTICIPACOES S.A. R$ 20.000,00
TOTAL R$ 28.135.000,00

Como se vê, o total é consideravelmente maior do que aparece no ranking. Ainda assim, mesmo com todo o acesso aos dados, é difícil termos certeza de que esse foi o total doado por essa empresa. Primeiro, porque podemos ter errado para mais (de repente, por exempo, a “Odebrecht Oleo e Gas” não faz parte do mesmo grupo e tem o mesmo nome apenas por coincidência). Segundo, porque é impossível mapearmos completamente as doações; há empresas que são do mesmo grupo empresarial mas têm nome completamente distinto. E, terceiro, porque doações podem ter sido feitas por pessoas físicas (por diretores ou acionistas da empresa), o que dificulta ainda mais o mapeamento da capacidade de influência dessa empresa sobre a política brasileira.

É por isso que, quando pensamos na transparência como um elemento de regulação, temos de ter em mente que, muitas vezes, a transparência tem limites naquilo que nos permite investigar; nesses casos, talvez tenhamos de ter uma regulação mais estrita, do contrário nunca saberemos as reais influências sobre decisões políticas – incluindo, neste caso, esse financiamento do BNDES.

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